terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Guia para cães cegos é colocado no mercado

E se um dia o seu cão cegasse e acabasse por perder a sua orientação e como consequência, a sua independência? Foi isto que aconteceu a Muffin, um cão que com a idade foi criando cataratas. A sua dona, Silvie Bordeaux relata que ficou devastada quando começou a notar que ele ia contra as paredes e caia das escadas abaixo.

Após de procurar por uma solução que não foi encontrada, Silvie decidiu meter mãos à obra e construir ela mesma uma alternativa. Foi assim que foi criado o Muffin's Halo Guide for Blind Dogs (Halo do Muffin - Guia Para Cães Cegos). Trata-se de um arco que rodeia a parte anterior da cabeça do cão e previne que este embata nos objectos que o rodeiam no seu quotidiano, ajudando-o assim a recuperar a sua confiança.
O Muffin's Halo pode ter várias cores, tamanhos e estilos, desde asas de anjo, asas de borboleta e até mesmo um uniforme de futebol americano.

Links:
Loja do Halo do Muffin
Facebook do Halo do Muffin

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Três anos passados, nova eu

Após todos estes anos passados, tenho de admitir que tenho saudades de escrever no blog, mas tenho tido muito pouco tempo (e pouca criatividade).
Nestes três anos, o meu mundo mudou muito. Finalmente entrei na faculdade no curso que queria e cresci muito de forma mental. No entanto, continuo a sentir-me a mesma menina que começou a escrever no blog com quinze anos.
A minha vida tem sido construída a trezentos quilómetros de casa e todos os fins-de-semana, uma viagem cuja só ida demora cinco horas. Felizmente é o meu último ano e estou quase a acabar o curso (mal posso esperar). 
É irónico que há uns anos atrás tenha ficado tão entusiasmada com uma visita à serra da Estrela (dia na serra - 6 de março de 2011) e (serra da Estrela - 22 de fevereiro de 2011) e agora esteja farta de morar nas suas encostas...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Coração contra a razão (espetáculo) *.*

"É inevitável a luta, sempre que a um espírito vigoroso e lúcido anda associado um coração que sente, que se comove sob a influência dos estímulos naturais dos afectos humanos.
Quando o coração é de gelo, a razão dirige desafogada, imperturbável, em linha recta, o caminho da vida; quando a razão abdica e o coração domina, o movimento é irregular, mas livre; caprichoso, mas resoluto; funesto, mas incessante; porém, se o coração e a cabeça medem forças iguais, a cada momento param para lutar, como atletas destemidos. De qualquer lado que tenha de se decidir a vitória, será disputada, até ao último instante, pelo contendor vencido; a pausa terá sido inevitável; a reacção enérgica; e a crise violenta.
Podem passar ignoradas de todo as peripécias desse combate íntimo; mas a aparente tranquilidade exterior mais lhe exacerbará a crueza."

As pupilas do senhor reitor, Júlio Dinis,  Capítulo XVI

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Longe da realidade

"Abre-lhes ela as portas de um mundo imaginário, para onde se refugiam dos embates do mundo real, que impressionam dolorosamente a sua delicada sensibilidade. Quando os encontramos sós, estes melancólicos devaneadores, acreditemos que lhes povoam a solidão formas invisíveis, criadas à poderosa evocação da sua fantasia; o silêncio em que o virmos cair dissimula-lhes os misteriosos diálogos na linguagem desconhecida e intraduzível desse fantástico mundo. É uma singular loucura procurar distraí-los, chamando-os à consideração das coisas reais. A mais doce consolação, a mais festiva alegria daquelas almas, é aquilo mesmo que se nos afigura tristeza.

Deixem-nos assim. Não queiram erguer-lhes a fronte que involuntariamente se inclina, não tentem iluminar-lhes com sorrisos a fisionomia, sobre a qual derrama uma severa gravidade; não se esforcem por lhes tirar dos lábios comprimidos uma palavra qualquer, o fogo da vida, que parece tê-los abandonado, tendo deixado somente a superfície, para mais intenso se lhes concentrar o coração."

As pupilas do senhor reitor, Júlio Dinis, Capítulo X

Júlio Dinis, definitivamente o escritor da minha vida! (3 *.*

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Júlio Dinis, cada vez gosto mais desse homem... *.*

"Os mártires que se analisam, e nos fazem resenha e inventário dos seus tormentos; esse que, todos os dias, desenvolvem em estilo imaginoso a fisiologia do seu próprio coração, indagam a teoria do padecer, que, dizem eles, os tortura e o fazem com uma profundeza de vistas, verdadeiramente filosófica... esses mártires... para falar a verdade não creio muito neles. Quem sofre deveras, tenho eu para mim, acha-se com pouca vontade de esquadrinhar os mistérios do sofrimento e não se põe com grandes filosofias a esse respeito. Eu julgo mais natural e sincero fazer como a pequena Margarida, depois da partida de Daniel: subindo todas as tardes ao outeiro silvestre onde tantas vezes ele se viera sentar também, sentia cerrar-se-lhe o coração de tristeza, e... desatava a chorar. Não sei que moda anda agora de não se considerar o choro como a mais eloquente expressão de pesar! Eu, por mim, é dos sinais em que deposito mais fé."

As Pupilas do Senhor Reitor, Júlio Dinis, Capítulo VI


Esta é uma das formas mais verdadeiras de explicar o sofrimento que eu já li. Cada vez mais me embrenho neste livro maravilhoso e, só leio pouco por dia, com receio de o acabar e não me poder encantar mais vezes com as novidades que nele vejo. É uma leitura essencial e que aconselho a toda a gente. Só de pensar que os Maias, de Eça de Queiroz saíram em 1888 e que As Pupilas do Senhor Reitor foram editadas pela primeira vez em 1869... Uma obra não tem nada a ver com a outra, tal como a linguagem dos dois autores. Se bem que, após ler este livro e o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, me reembrenharei nos Maias para ver se me apaixono por essa obra, uma vez que já não o lerei obrigada.